Estou revoltado. Têm coisas na vida que a gente dá por assumido: A morte, os impostos, políticos corruptos, infidelidade masculina... todos fatos da vida que eventualmente nos atingirão. É a vida. Não vai mudar.
Acontece que um desses fatos era, claro, filmes do agente 007, James Bond. Você sabe que eventualmente sairá um novo filme do Bond. E que alegria: Vilões cartunescos (sempre estrangeiros, claro, pois eles devem ter um sotaque exótico), Bond girls (uma boa, uma má, sendo esta última fadada à morte), trocadilhos infames e, claro, a clássica "Dry martini shaken, not stirred" ("Martini seco agitado, não batido"). Podiam não ter uma ótima trama, mas eram cheias de gente bonita e momentos alucinantes. Até que tudo acabou.
O primeiro filme da "nova geração" de Bond, "Cassino Royale", introduziu um novo ator e, de certa maneira, agitou a fórmula. O filme agora se leva mais a sério, com momentos dramáticos e um Bond que é toturado psicologicamente (e fisicamente também, em partes... sensíveis) por todos lados. Até que não foi ruim. As mulheres foram um desastre, sendo que a mais bonita das duas durou uns dois segundos (e nenhua delas era "má") , mas no todo, não foi ruim. E eu fiquei bastante empolgado com a continuação, "Quantum of Solace".
Oh, Deus! Todo traço dos bons e velhos filmes se esvaiu no ar. A começar pela trama, que é uma direta continuação do filme anterior, e se desenvolve de uma maneira mais convulta e retorcida que uma árvore do sertão. Se você entendeu 15% do filme seu Q.I. deve ser maior do que 140, porque eu já vi duas vezes e ainda há coisas que não consigo entender como se relacionam umas com as outras. De novo Bond Girls não só desconhecidas, como feias, sendo que a mais linda novamente dura pouco, e sofre um destino tão horrível como sua predecessora de Cassino Royale.
E Bond. Oh, Bond é um caso aparte. Ele ainda não esqueceu o amor de sua vida do filme anteiror (se você pensar bem, eles passaram menos de um dia juntos em Cassino Royale, o que já é suficiente para eles terem se apaixonado além dos limites mortais), e está cada vez mais sensível (leia-se chato). O fato de o ator (Daniel Craig) já ter naturalmente uma cara de tacho não ajuda em nada.
O filme já não é mais engraçado ou empolgante. É dramático e entediante. Como disse meu pai, "se eu quiser ver um filme de espionagem mesmo, eu não assisto 007". Ou seja, não só se perdeu a personalidade da série, como nem sequer se evoluiu a um estágio sério. Ficou numa espécie de limbo intermediário que, sinceramente, é um saco.
E parece que vai continuar. De novo, a história ficou inconclusa. O que vem depois não quero nem saber. Vou alugar os quatro filmes da fase Pierce Brosnam (na minha humilde opinião, a melhor do espião) e relembrar os bons tempos.
Algum tempo depois
Há 14 anos